- Foto: Divulgação

Editorial

Contra fatos não há argumentos

Por: Melissa Schirmanoff
Nov. 21, 2020, 7 a.m.

O jornal A Cidade noticiou em primeira mão através de uma nota publicada inicialmente em sua página oficial na rede social Facebook e na sequência em seu site, que o candidato à reeleição ao cargo de prefeito em Ubatuba, Délcio Sato teve o registro de sua candidatura indeferido através de uma decisão com votação unânime proferida pelo Tribunal Regional Eleitoral.

Isso aconteceu no final da tarde de sexta-feira, 13 de novembro, e portanto, a menos  de dois dias da eleições.

O acórdão, que é sentença do órgão colegiado, havia sido publicado em audiência e, portanto, estava disponível para quem quisesse ver.

A audiência virtual, realizada como todas as demais em atendimento às normas sanitárias adotadas para prevenção à disseminação da pandemia, e portanto, com cada participante em seu home office, foi transmitida ao vivo pelo canal oficial do TRE no Youtube como todos os outros julgamentos. Vale destacar ainda que essa audiência contou com um número considerável de pessoas assistindo, chegando a 178 pessoas ao mesmo tempo. Geralmente a plateia é bem mais baixa, limitando-se aos interessados diretos.

Um candidato ao cargo majoritário com o registro indeferido a dois dias das eleições é um fato importante que precisa ser noticiado, ainda mais se este for o atual gestor municipal. Não fosse pelo jornal A Cidade, seria por outro veículo de comunicação, assim como o foi inclusive feito por um influenciador digital de Ubatuba candidato à vereança que postou um vídeo na rede social.

Mas o surpreendente mesmo foi o que aconteceu na sequência. A equipe de marketing da campanha do candidato indeferido estampou um gigante “Fake news” no print da postagem feita pelo jornal A Cidade e disparou por WhatsApp a todos os apoiadores, simpatizantes, funcionários comissionados, candidatos...que passaram a postá-la como comentário da notícia.

Não faltou também manifestações afirmando categoricamente que a notícia era falsa acrescentando comentários depreciativos ao jornal e a quem escreveu.

Essa é a prova de que não há limites, não há respeito e falta o mínimo de bom senso por certos candidatos em busca da conquista de um cargo.

Difícil acreditar que um candidato à reeleição concorde que toda a sua equipe de campanha e de comissionados acusem um jornal que sabe ser idôneo, comprometido com a verdade, com credibilidade e que muito lhe foi útil em suas divulgações, seja tachado de disseminador de “fake news”.

E olha que rotular e espalhar nas redes sociais transformando em “fake news” as críticas pontuais feitas pelos adversários já era uma estratégia de campanha e aconteceu em várias ocasiões antes mesmo da campanha eleitoral oficialmente começar. Muitas críticas a atual gestão trazida pelos pré-candidatos eram rotuladas de “fake news”.

Parece até que eles desconhecem a máxima “contra fatos não há argumentos”. Fato não é boato. Fato não é fake news. Fato é incontestável.

Uma verdade não pode ser transformada porque simplesmente queremos, porque discordamos dela, porque a sua divulgação por alguma razão atrapalhe os seus planos futuros.

Rotularam uma verdade de “fake news”, mas quem perdeu a credibilidade não fui eu e nem o jornal A Cidade!