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Editorial

A decisão é dos pais

Por: Melissa Schirmanoff
Aug. 1, 2020, 7 a.m.

 

A suspensão das aulas presenciais é uma medida adotada em todos os países atingidos pela pandemia do novo coronavírus. No Brasil não foi diferente e no estado de São Paulo, o fechamento das escolas públicas, particulares e universidades foi decretado a partir do dia 23 de março por tempo indeterminado, ainda que a essa altura muitas escolas já registrassem uma queda expressiva da frequência de alunos enquanto outras, na maioria delas, particulares, se anteciparam à suspensão das aulas por precaução.

Passados mais de quatro meses, uma grande discussão se desenrola agora em torno do momento ideal para o retorno dos alunos às salas de aulas em todo o país mobilizando de políticos, governantes, professores, pais e alunos. Já há até quem recorra a protestos e outros, ao Judiciário.

O governo do estado anunciou no final do mês de junho que a retomada de aulas presenciais em todos os níveis de ensino das redes pública e particular está previsto para o dia 8 de setembro desde que todas as regiões do estado permaneçam na etapa amarela do Plano São Paulo de flexibilização da quarentena – a terceira menos restritiva segundo critérios de capacidade hospitalar e progressão da pandemia – por 28 dias consecutivos.

O retorno, segundo o cronograma será em três etapas, e na primeira delas, as salas terão ocupação máxima de 35%, com revezamento de estudantes durante a semana e sob rígidos protocolos de segurança definidos no Plano São Paulo de indicadores de saúde.

Em uma unidade escolar com mil estudantes, somente 350 poderão ter aulas presenciais a cada dia, enquanto que os demais continuarão a cumprir atividades remotas. Cada escola deverá definir o revezamento de alunos, e cada estudante deverá ter ao menos um dia de aula presencial por semana.

As escolas, por sua vez, devem seguir um rigoroso protocolo sanitário que sem dúvida alguma implica em investimentos. Álcool em gel e medidor de temperatura são só dois dos requisitos. Há de se manter o distanciamento de 1,5 m entre as pessoas, inclusive na sala de aula, com exceção da educação infantil; recreios e intervalos com revezamento das turmas em horários alternados; horários de entrada e saída escalonados para evitar aglomerações; veto a feiras, palestras, seminários e competições esportivas.

Medidas específicas de higiene pessoal também devem ser adotadas nas escolas, como distribuição de EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) para professores e funcionários, uso obrigatório de máscara nas instituições de ensino e no transporte escolar, fornecimento de água potável em recipientes individuais e higienização frequente das mãos com água e sabão ou álcool em gel.

Tudo soa bem protocolar mas afinal de contas, é seguro?

Esse não é o retrato que temos da maior parte das escolas públicas. E pensar que onde falta sempre papel higiênico porque agora haveria de ter até álcool em gel em abundância, preocupa e muito!

Enquanto isso vemos a flexibilização da quarentena seja na fase laranja ou amarela elevar o número de contaminados por Covid-19 em todas as cidades. Coincidência é que não é.

Ao mesmo tempo, vemos também gestores municipais recuando por iniciativa própria no avanço de fases para preservar a saúde dos munícipes e assistimos outros correndo atrás de liberar cada vez mais as atividades em sua cidade para agradar o maior número de eleitores.

Mas ninguém ousa a essa altura garantir que é seguro estar a cidade há 28 dias na fase amarela para o retorno às aulas presenciais porque não é. E com tanto governante e administrador público municipal em cima do muro para não se comprometer principalmente em plena campanha eleitoral antecipada, adivinha a quem cabe decidir quando os alunos retornam às aulas presenciais? Aos pais!

Aqueles que tem, por instinto, a tendência a preservá-los ou à escola enviá-los por pura necessidade.

E assim é uma decisão política em meio a uma pandemia (com curva em ascensão ou em platô) em que vidas estão em jogo: as escolas serão reabertas, as aulas presenciais serão retomadas, vai quem quer, quem não for não será penalizado porque a decisão será respeitada e quem decide tudo são os pais, ponto final.