Praia do Félix - Foto: Divulgação

Editorial

Praias liberadas

Por: Melissa Schirmanoff
July 18, 2020, 7 a.m.

 

Domingo de Sol em Ubatuba.

Apesar de ser inverno, o que sempre se vê mesmo nessa época do ano é que, se o dia está bonito, o céu está azul e o Sol a aquecer e iluminar bem o dia no litoral, as praias estarão certamente bem frequentadas. Tem quem gosta, tem quem prefere.

E não foi diferente no dia 12 de julho de 2020.

Aliás, a ocupação das praias não foi muito diferente das registradas em anos anteriores nessa mesma época e em condições climáticas favoráveis - o que seria ótimo para movimentar a economia da cidade que tem como sua principal fonte de renda o turismo - se não fosse em meio a uma pandemia e, principalmente, à restrição imposta pela administração municipal de ocupação da faixa de areia das praias da cidade para o lazer como medida adotada para a contenção de disseminação do novo coronavírus, causador da doença chamada Covid-19.

Por força de decreto municipal, está permitido que moradores pratiquem atividades aquáticas no mar de segunda a quinta-feira, de modo que a faixa de areia deve ser usada somente para atravessar, da orla até o mar e de lá voltar. Não está permitido permanecer na faixa de areia para o lazer.

Não só consta do decreto como a medida também foi explicada e detalhada através de lives.

Mas não é o que se encontra nas praias. No domingo citado, por exemplo, na praia da Lagoinha, não estava fácil encontrar um lugar para estacionar o carro e nas praias da Maranduba e Praia Grande não havia como escapar da cobrança de Zona Azul. A praia Dura não estava muito lotada mas era bem frequentada. No acostamento da rodovia que dá acesso à praia Brava do Perequê-Mirim haviam tantos carros que literalmente não cabia mais um.

Não sei dizer da ocupação das praias da região Norte da cidade porque na verdade, eu não buscava um lugar ao Sol para ficar, eu me deslocava da Santa Casa de Saúde Stella Maris em Caraguatauba (onde fiquei internada quatro dias) para a minha casa na região central de Ubatuba.

Cobrança de Zona Azul e faixas de areia frequentadas só poderiam significar que as praias foram liberadas. Até porque não havia indício algum de uma fiscalização ao menos educativa por onde passei. “Só que não!”.

A pergunta é: “Cadê a fiscalização?” Vai dizer que foi feita?

De nada adianta publicar decreto, fazer lives e mais lives se não fizer cumprir o que se institui. Perde o foco, o objetivo e claro, principalmente, a credibilidade!