pinguins que foram resgatados pelo Instituto Argonauta, através da sua equipe do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS). - Foto: Instituto Argonauta/Divulgação
Pinguim-de-Magalhães em reabilitação - Foto: Instituto Argonauta/Divulgação
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Meio Ambiente

Temporada de pinguins começa na costa brasileira

Pinguins chegam ao Litoral Norte de São Paulo em grande quantidade

Por: Redação
June 27, 2020, 7 a.m.

 

 

O Instituto Argonauta para Conservação Costeira e Marinha, através da sua equipe do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) começou há 15 dias a identificar a chegada de grande número de juvenis dos Pinguins-de-Magalhães (Spheniscus magellanicus) no Litoral Norte de São Paulo.

Todos os anos eles migram da Patagônia Argentina, em busca de alimento, mas parte deles acaba se perdendo do grupo e são encontrados em nossas praias. O primeiro pinguim registrado pelo Instituto Argonauta foi encontrado no dia 9 de junho na praia do Itaguaçu, em Ilhabela. Do dia 9 até a terça-feira, dia 23 de junho, já foram contabilizadas pela instituição 77 ocorrências. Deste total, são 38 animais vivos que passam por reabilitação na Unidade de Estabilização de São Sebastião e no Centro de Reabilitação e Despetrolização de Ubatuba. Outros 39 pinguins já chegaram mortos.

“Esse ano no Litoral Norte estamos percebendo que há muitos pinguins chegando. Infelizmente, muitos deles não sobrevivem, uma vez que já chegam debilitados pela falta de alimento”, ressalta o oceanógrafo Hugo Gallo Neto, presidente do Instituto Argonauta. “Em um comparativo com anos anteriores, é possível notar o número expressivo de ocorrências de animais vivos neste ano, conforme o gráfico a seguir”, ressalta o oceanógrafo.

"Conforme o gráfico, é possível notar que em 2016 o Instituto Argonauta contabilizou em seu banco de dados 8 Pinguins-de-Magalhães (nenhum deles sobreviveu). Já em 2017, foi um total de 6 espécimes, sendo 2 vivos e 4 animais mortos. No ano de 2018 a instituição registrou um total de 245 animais: 14 vivos e 231 mortos. Já no ano passado foram 25 ocorrências, envolvendo 9 pinguins vivos e 16 mortos. O ano de 2020 destaca-se em relação aos outros anos na  quantidade de animais vivos registrados até o momento”, complementa.

De acordo com a bióloga Carla Beatriz Barbosa, Coordenadora do Trecho 10 do PMP-BS Mineral/Argonauta, o Pinguim-de-Magalhães é uma espécie encontrada na Patagônia Argentina e Chilena e nas Ilhas Malvinas. São aves marinhas com o corpo adaptado para viverem na água, mas não voam, e têm suas asas modificadas em nadadeiras.

A bióloga explica que os pinguins permanecem na água durante a época não reprodutiva, entre os meses de abril e setembro. “Nesta época, eles saem em busca de alimento se aventurando por distâncias mais longas, podendo chegar até o nosso litoral sudeste. Alimentam-se de peixes, cefalópodes (polvos e lulas) e pequenos crustáceos”, detalha a bióloga.

"É neste período que esses animais são encontrados, muitas vezes fracos, debilitados e necessitando de cuidados. Aqui na região, estes animais são encaminhados para o CRD de Ubatuba ou para a UE de São Sebastião, para que depois de reabilitados sejam devolvidos à natureza”, finalizou Carla.

O Instituto Argonauta reabilita pinguins desde o ano de 2012 em continuidade ao trabalho de reabilitação realizado pelo Aquário de Ubatuba desde 1996, tendo resgatado diversos Pinguins-de-Magalhães nos anos em que os mesmos estiveram presentes na costa de nossa região.

O oceanógrafo Hugo Gallo alerta que quem encontrar um pinguim vivo ou morto nas praias do Litoral Norte, pode ligar nº 0800 642 3341 e, caso o animal permita (tomando cuidado para não ser bicado nos olhos), colocá-lo em uma caixa de papelão com jornal e manter o mesmo em local seguro de outros animais como cachorros, gatos e urubus até a chegada da equipe.

 

Sobre o Instituto Argonauta

O @institutoargonauta foi fundado em 1998 pela Diretoria do Aquário de Ubatuba e reconhecido em 2007 como OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público). O Instituto tem como objetivo a conservação do Meio Ambiente, em especial a conservação dos ecossistemas costeiros e marinhos. Para isso, apoia e desenvolve projetos de pesquisa, resgate e reabilitação da fauna  marinha, educação ambiental e resíduos sólidos no ambiente marinho, dentre outras atividades.

 

Sobre o PMP-BS

O Instituto Argonauta também é uma das instituições executoras do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), atividade desenvolvida para o atendimento de condicionante do licenciamento ambiental federal das atividades da Petrobras de produção e escoamento de petróleo e gás natural na Bacia de Santos, conduzido pelo Ibama.

Esse projeto tem como objetivo avaliar os possíveis impactos das atividades de produção e escoamento de petróleo sobre as aves, tartarugas e mamíferos marinhos, por meio do monitoramento das praias e do atendimento veterinário aos animais vivos e necropsia dos animais encontrados mortos.

O projeto é realizado desde Laguna/SC até Saquarema/RJ, sendo dividido em 15 trechos. O Instituto Argonauta monitora o Trecho 10, compreendido entre São Sebastião e Ubatuba.

Para maiores informações consulte: www.baciadesantos.com.br

 

Seja um Argonauta!

Para acionar o serviço de resgate de mamíferos, tartarugas e aves marinhas, vivos debilitados ou mortos, entre em contato pelos telefones 0800-642-3341 ou diretamente para o Instituto Argonauta: (12) 3833.4863 - 3833.5789/ (12) 3834.1382  (Aquário  de  Ubatuba)/  (12)  3833.5753/  (12)  99705.6506  e  (12)

99785.3615 - WhatsApp. Também é possível baixar gratuitamente o Aplicativo Argonauta, disponível para os sistemas operacionais iOS (APP Store) e Android (Play Store). No aplicativo, o internauta pode informar ocorrências de animais marinhos debilitados ou  mortos  em  sua  região,  bem  como  informar  ainda problemas          ambientais nas  praias,                para que a equipe do Argonauta encaminhe a denúncia para os órgãos competentes.

A base do Instituto está situada na Tv. Baitacas, nº 20, bairro Perequê-Açu, Ubatuba/SP - CEP 11680-000.