Prevenção & Saúde

Como sair gradualmente da quarentena sem colocar a saúde dos condôminos em risco

Por: Redação
June 13, 2020, 7 a.m.

 

Com a retomada gradual das atividades, os moradores e síndicos precisam estar preparados para o "novo normal" que está por vir. Ninguém quer errar tampouco retroceder com flexibilizações antecipadas às medidas que garantem a segurança e saúde de todos que transitam em áreas comuns de um condomínio, seja ele grande ou pequeno.

Como sempre sobram mais dúvidas do que respostas ao se tratar de condomínios, buscamos um consenso de medidas que podem ser adotadas sem por em risco a preservação da saúde de todos através do estabelecimento de uma política clara e bem definida.

Dentre os novos costumes que poderão ser adotados com a anuência de todos os condôminos, podemos destacar as principais tendências:

 

Restrição de visitantes: as pessoas estavam isoladas e consequentemente, com muita saudade dos seus familiares. Caso sejam liberadas, a recomendação é que os visitantes para acesso das unidades sigam o mesmo protocolo que moradores. Em geral acesso com máscaras e restrição no uso dos elevadores apenas com pessoas da mesma família.

 

Nos elevadores: o uso dos elevadores deve ser feito com máscara, apenas pessoas da mesma família. É importante também ter um dispenser com álcool gel nos acessos ou dentro dos elevadores. Já existem tecnologias disponíveis de renovação e limpeza do ar nos elevadores para casos com grande tráfego (vale a pena avaliar esta tecnologia).

 

Animais de estimação: Os animais devem frequentar as áreas destinadas a eles nos condomínios e sempre depois de um passeio na rua, as patas devem ser higienizadas com água e sabão.

 

Espaço liberado para as crianças: assim como as escolas, esse é um grande desafio. Condomínios são a segunda maior aglomeração infantil, atrás apenas das escolas. Quem tem filho pequeno em casa sabe que é muito difícil entreter as crianças. As áreas de lazer deverão ser utilizadas com moderação. A máscara deve ser exigida sempre, áreas abertas utilizadas com limite mínimo de pessoas para evitar toda e qualquer aglomeração.

 

Liberação de obras: este é mais um tema polêmico. Neste momento onde a maioria das pessoas continua trabalhando em casa a orientação é permitir apenas obras emergenciais. Além daquelas emergenciais pelo caráter corretivo, estão as pessoas que precisam finalizar suas casas e apartamentos para deixá-los em condições de uso como colocação de piso e armários. Ainda tem a questão do lixo, muito delicada na pandemia, obras aumentam muito o volume de lixo produzido. Para a realização das obras o bom senso e principalmente o senso de comunidade devem prevalecer.

 

Maior fragilidade para funcionários: com o aumento da circulação, os colaboradores dos condomínios ficarão mais expostos e as medidas de proteção serão necessárias 100% do tempo.

 

Medidas de Higienização: com a abertura gradual das áreas comuns, a limpeza precisa ser intensificada. Maior frequência na higienização das áreas de circulação e elevadores, banheiros abertos na área comum sempre abastecidos com sabão e álcool em gel em todas as áreas de maior circulação.

 

Informar em caso de suspeita: os moradores deverão manter a administração do condomínio informada sobre qualquer caso suspeito ou confirmado. Se houver morador contaminado, ele deve cumprir isolamento rigoroso evitando completamente a circulação na área comum. Todo lixo da unidade com pessoas que testaram positivo para o covid deve ser embalado com reforço e sinalização de possibilidade de contaminação.

 

Delivery: Todas as entregas não devem passar pela mão da equipe de portaria. A entrega deve ser feita entre o entregador e o condômino. É recomendada a higienização das embalagens.

 

Legados da pandemia

 

Vale destacar que diversos costumes já foram implementados durante o isolamento social. Com esse novo normal, alguns hábitos permanecerão. Entre eles, estão:

 

Solidariedade: durante o isolamento social surgiu um grande movimento de caridade. Vizinhos de condomínios em várias cidades do País descobriram que a união é a maneira mais fácil de enfrentar esse período especialmente difícil para os idosos que vivem sozinhos. Essas ações se transformaram em grandes correntes do bem e devem continuar;

 

Recursos de desinfecção: há um recurso que certamente os condomínios já adotaram: a higienização semanal das áreas comuns – o que deve permanecer.

 

Preferência do consumo local: a onda de aproximação com as padarias, feirantes, pequenos produtores, cafés e restaurantes do bairro são um movimento definitivo e sem retorno.

 

Fortalecimento dos laços comunitários: acabou aquela era de vizinho que não se conhece, não se cumprimenta e dá sorriso amarelo no elevador. As pessoas ficaram mais perto, mais afetivas e resilientes. Os condomínios se tornaram, de verdade, comunidades e isso não deve ser abandonado.

 

Assembleias digitais: o formato da assembleia de condomínio antiga ficou definitivamente para trás. As assembleias digitais têm tido uma adesão cada vez maior e os condôminos descobriram que podem fazer valer a sua voz nas decisões, já que é possível escolher horário para acessar, conhecer os temas, perguntar e votar. O lado bom disso é que a tecnologia permite que todos participem de uma assembleia e de suas decisões mesmo à distância.

Até porque nenhuma medida imposta funciona em condomínio. Todos tem o direito de se manifestar, ponderar e ao final, aderir às medidas que resultam no bom senso e no bem comum.