Artigo

Não vou desistir de você, Ubatuba!

None

Por: Anônimo None
Oct. 26, 2019, 7 a.m.

 

Moro em Ubatuba há mais de uma década.

Não nasci e nem cresci nesta cidade.

Atraída pela ideia de morar no litoral em uma cidade pequena, tranquila, com lindas praias e paisagens exuberantes, me estabeleci com minha família em busca de segurança e qualidade de vida.

Longe da poluição, do trânsito caótico e da violência crescente nas ruas de São Paulo, de fato a mudança é sentida de forma notável.

Mas como todo turista que um dia se torna morador de Ubatuba, depois que passa aquele impacto inicial de estar morando no litoral comecei a notar alguns problemas como calçadas desniveladas, irregulares, com piso solto ou esburacadas que nos obrigam a sair para a rua para continuar o que deveria ser uma simples caminhada. De tão problemática que são, elas impedem que famílias saiam para passear com carrinhos de bebês, impedem que os cadeirantes circulem e tornam impossível para os idosos seguirem a recomendação médica de ‘caminhar’, sob grande risco de a perna ou o pé fraturar ao se desequilibrar.

Academias ao ar livre uma vez instaladas desconhecem o que é manutenção e assim vão se deteriorando pouco a pouco quando não ficam literalmente escondidas em meio ao mato que cresce alto à sua volta.

Praças raramente são bem cuidadas, com grama aparada e seus bancos conservados. Quando isso acontece, tem a mão de pessoas que em razão de morar ou de ter um comércio no entorno, sensibilizadas, doam seu tempo e seu trabalho em podar e cultivar um local que continue proporcionando bem estar.

Nas orlas das praias a dificuldade é a mesma dos bairros. Caminhar olhando o mar é arriscar se machucar. Bancos, quando existem e não estão quebrados ou danificados, estão ocupados porque são raros!

Zeladoria nas ruas dos bairros não existem. A poda do mato que cresce alto nas guias das ruas são feitas apenas nos entornos das escolas. Em todas as demais localidades da cidade a responsabilidade fica a cargo do proprietário que acaba terceirizando o serviço e claro, por ele pagando.

Nem vou me queixar sobre as ruas constantemente esburacadas. Todos sabem! Nem da carência de iluminação pública. Descobrimos que somos capazes de enxergar no escuro.

Sobre o único hospital da cidade, os problemas que nele existem são bem maiores do que aqueles que veem à tona através de corajosos que se arriscam a reclamar em grupos nas redes sociais sob pena de sofrerem duras represálias - como se atendimento médico e hospitalar ainda que sem qualidade fosse uma caridade! Só mesmo nessa cidade!

Além dos eventos que integram o calendário oficial, as opções de lazer se resumem basicamente em ir à praia. Aos jovens restam pouquíssimos, para não dizer logo nenhum entretenimento gratuito, que lhes garanta a ocupação do tempo de forma saudável. E por falar em jovens, o futuro profissional daqueles que almejam cursar uma faculdade está condicionado à possibilidade financeira de se deslocar para as cidades vizinhas para estudar.

Quando conseguem se formar, emprego dificilmente será aqui que irão encontrar!

Não estou criticando especificamente a atual administração. Nem as anteriores ainda que só tenha acompanhado a atuação dos três últimos gestores. A questão é que entra administração, sai administração e esses problemas apenas se renovam tanto quanto a esperança da cidade.

E olha que esses são problemas pequenos em cidades grandes. E em Ubatuba, problemas como esses simplesmente não deveriam existir.

Aqui, trânsito de fato só existe na alta temporada, quando a coleta de lixo não dá conta do aumento da demanda. E olha que não há nenhuma novidade nisso! Como toda cidade litorânea, o turismo ainda é a principal fonte de renda que escolhe este destino atraído pelas praias porque não existem de fato políticas voltadas ao estímulo de um turismo sustentável, de alto nível e especializado como o esportivo e o de observação, por exemplo.

Coleta seletiva de lixo na prática mesmo, não existe em toda a cidade. Menos de 50% do esgoto que a cidade produz é tratado e por incrível que pareça, a cidade está inserida em área de preservação permanente através do Parque Estadual da Serra do Mar.

Até aeroporto a cidade tem mas até agora, sem receber a devida atenção que sua potencialidade representa para o progresso da economia local e regional, corre atualmente o grande risco de cair no esquecimento com a construção de outro na cidade vizinha.

A violência ainda se resume a furtos de celulares, bolsas e bicicletas aos montes com um ou outro estabelecimento comercial assaltado semana sim, semana não e poucos roubos e furtos de veículos e motos (ainda porque o tráfico é crescente...)

Como a oferta de empregos se resume basicamente ao terceiro setor, todos ficam de olho numa oportunidade de ocupar um cargo na administração pública e assim, a cultura econômica envereda sempre por apoiar alguém para posteriormente se beneficiar.

Quem é da terra, nasceu aqui, cresceu aqui, jamais irá embora! São caiçaras, quilomobolas, indígenas, descendentes diretos dos primeiros habitantes e fundadores desta cidade importantíssima para a história do Brasil.

Se eu, que vim de fora, vou embora daqui? Claro que não! Meus filhos são caiçaras, tenho um apreço e um respeito muito grande por todos que são daqui e mais um ano eleitoral vem aí!

Fique tranquila. Não vou desistir de você, Ubatuba!

O meu nome?

Pouco importa se o que aqui está escrito retrata apenas a verdade, e você, bem sabe!