Saúde

Luto e perdas repentinas: contribuições da Terapia Cognitivo - Comportamental

A terapeuta Lilian Alves de Almeida atende na “Clínica & Spa Segredos da Alma”.

Por: Lilian Alves
Oct. 26, 2019, 7 a.m.

Nos dias de hoje a morte ainda é vista como um tabu, cercada de mistérios e de crenças e as pessoas, frequentemente, não se encontram preparadas para lidar com a finitude humana. Quando a morte ocorre de forma trágica e repentina, tende a causar inúmeras alterações na vida de uma pessoa acarretando, muitas vezes, prejuízos e alterações, principalmente nos funcionamentos emocionais e cognitivos. Nesse momento, os enlutados poderão recorrer a um terapeuta e este tende a priorizar o acolhimento e a escuta ao paciente. Diante do exposto foram sugeridos alguns pontos essenciais da Terapia Cognitivo-Comportamental, pois acredita-se que ela tende a ter uma importante contribuição no que se refere ao manejo do luto. Assim, o objetivo deste artigo é enriquecer e proporcionar ao leitor alguns aspectos relativos a um auxílio terapêutico embasados na Terapia Cognitivo-Comportamental diante de um evento estressor, como é a perda repentina de um ente querido.

De acordo com o dicionário, o luto pode ser definido como um sentimento de pesar ou tristeza pela morte de alguém, mas esse termo também é utilizado quando ocorre uma tristeza profunda causada por uma calamidade ou quando ocorre dor, mágoa ou aflição.

O luto é um processo necessário para nos ajudar a elaborar maneiras para lidar com essa situação de despedida forçada de algo. Entende-se que as crenças a respeito da perda de um ente querido serão ativadas e processadas pelo entendimento que o indivíduo tem em relação à morte, ou seja, a reação dependerá do estilo de enfrentamento e dos padrões anteriormente aprendidos e internalizados, interferindo e refletindo, principalmente, na alteração emocional e comportamental, devido aos erros do pensamento (Remor, 1999).

Minha vovó virou semente

“Repentinamente minha mãe faleceu e fiquei surpresa com a abordagem que sabiamente minha filha teve com minha neta de cinco anos de idade. Ela explicou que a vovó que ela tanto amava estava em uma caixinha e que iríamos plantá-la e que ela se transformaria em uma semente e nasceria em um outro lugar como uma flor muito bela.”

Minha neta falava para todos: Minha vovó virou uma semente e passou pelo momento de luto com tranquilidade e paz. Entende-se que houve um sentido para aquele momento de luto e em sua memória a vovó está nascendo em outro lugar. Muito importante observar nesse momento é o sentido que se dá para esse momento de perda, seja ele qual for: morte ou a separação de um casal que para os filhos, a ausência daquele que se foi muitas vezes têm o mesmo sentido de luto.

Em termos cerebrais, a ausência de um ente querido tem efeitos semelhantes aos da síndrome de abstinência. Em ambos os casos, há um estímulo inicial e um estímulo corretivo.

Tomemos o exemplo da ingestão de álcool. Quem bebe tem uma série de reações eufóricas, se desinibe e se “anestesia” diante de qualquer desconforto que esteja vivendo. No dia seguinte acontece tudo ao contrário. É provável que a pessoa esteja deprimida, insegura e queira recuperar o estímulo inicial bebendo - o estímulo inicial é o próprio afeto.

No caso dos sentimentos, o estímulo inicial é o próprio afeto. Há apego, necessidade dessa pessoa. Alegria ao vê-la. No entanto, se ocorre a ausência, seja porque essa pessoa se afasta ou porque morre, ocorre uma descompensação. O estímulo inicial desaparece e fica apenas o estímulo corretivo que por sua vez se intensifica. Esse é experimentado de uma maneira muito desagradável: com tristeza, irritabilidade e todas as emoções envolvidas em um luto.

Um problema Químico

Todas as emoções também ocorrem organicamente. Isso significa que para cada emoção correspondente há um processo fisiológico ocorrendo no corpo e mudanças químicas no cérebro. Quando amamos alguém não o fazemos apenas com a alma, mas também com os elementos da tabela periódica que se manifesta no organismo.

É por isso que a ausência de alguém amado não é apenas um vazio emocional. Há muita oxitocina, dopamina e seratonina que as pessoas amadas geram. Quando não estão lá, o corpo sofre uma desordem que, a princípio, não pode ser equilibrada. É necessário tempo para que um novo processo oponente ocorra: diante da intensa emoção negativa, é preciso que surja um “estímulo corretivo” para alcançar novamente o equilíbrio.

Para que pode nos servir saber tudo isso? Simplesmente para compreender que a ausência de alguém amado tem implicações profundas na mente e no corpo. Que é inevitável que, após uma perda, siga um processo de rearranjo que demore um pouco. Muitas vezes se trata apenas de permitir que esses processos ocorram. Confiar no fato de que viemos projetados para recuperar o equilíbrio.

Em meus atendimentos tenho tratado de pacientes com desordem emocional, cognitiva, com insônia e outros sintomas e percebo que a ajuda do Terapeuta nesse momento é muito importante, podendo auxiliar o paciente na ressignificação do sentimento e também com a intervenção da reposição de minerais que se dá através da ortomolecular e florais para que ele possa encontrar esse equilíbrio.

É claro que o apoio da família é muito importante de modo que esse é o primeiro acolhimento que ocorre.

 

A terapeuta Lilian Alves de Almeida atende na “Clínica & Spa Segredos da Alma”.