Educação

Por que as crianças se apegam a objetos?

Por: Alessandra Soares Ramiro
Oct. 19, 2019, 7 a.m.

 

É muito comum percebermos que muitas crianças adotam aquele brinquedo preferido, um cobertor, um paninho, sua chupeta, um boneco de borracha macio de quem ela não larga de jeito nenhum. Esses objetos que envolvem essas cenas nos primeiros meses de vida são objetos transacionais que trazem à criança uma sensação de conforto e acalento. Ela morde, aperta, mantém ali um relacionamento e uma diferenciação entre ela e o objeto. Coloca naquele cobertor, por exemplo, seus afetos positivos e negativos.

Tais objetos estão próximos da criança em momentos especiais: na hora da alimentação, e mesmo com a mamadeira ou peito, ela está agarrada no paninho ou num determinado boneco, apertando-o, com uma imensa sensação prazerosa. Na hora de dormir, geralmente, agarra seus paninhos ou bonecos e, geralmente, mais facilmente pega no sono.

Para os adultos esses objetos parecem ter vida própria e para criança, eles realmente têm vida própria. Recebem nomes, apelidos, são levados para todo canto e, quando saem da vista da criança, geram um sofrimento imenso para os pequenos. Tudo isso porque fazem parte dos vínculos afetivos criados por elas.

Os objetos vão sendo deixados de lado à medida que a criança vai se desenvolvendo, socializando-se e descobrindo o mundo nos primeiros passos, quando começa a andar sozinha, a falar e a desenvolver outras formas de contato social. Neste momento, vamos perceber que ela passa a ficar com seu objeto preferido nas horas de dormir, por exemplo, quando está na cadeirinha do carro ou em algum momento de maior relaxamento. Isso deve ocorrer por volta dos 3 aos 5 anos, época onde vai para escola e seu “objeto companheiro” pode ficar em casa ou guardado em sua mochila - o que é saudável justamente para se desvincular deles sem traumas.

É com a “ajuda” desse brinquedo que a separação da mãe vai acontecendo. Nem todas as crianças os terão; algumas demoram mais, outras adotam até mesmo o comportamento de “chupar o dedo”, enrolar o cabelo, pegar no dedão do pé. Todos eles são parte deste momento e descoberta do mundo, de si e do outro, e certamente são igualmente expressivos para o desenvolvimento infantil.

Jamais os pais devem retirá-los repentinamente da criança porque será traumático para elas mas por outro lado, incentivá-los a leva-los a todos os lugares dificulta a desvinculação, natural do desenvolvimento saudável da criança. Cada uma no seu tempo, vai deixando-os de lado.

Neste tempo tão corrido, quando os pais precisam se desdobrar para todas as necessidades do lar, pare um tempinho e observe seus filhos. A cada dia de um bebê, de uma criança, de um adolescente, você perceberá a riqueza de detalhes, as mudanças e o milagre da vida, afinal eles crescem e amadurecem um dia após o outro e aquilo que tem tanta importância para eles um dia, deixarão de ter no futuro, só os vínculos parentais que não!