Para refletir

Careca

Por: Turma do Haroldo
Oct. 19, 2019, 7 a.m.

Helena era mãe solteira e tinha uma filha com sete anos de idade. Viviam felizes até o dia em que descobriu que Daniela estava com leucemia. Breves sintomas e de uma hora para outra o diagnóstico. Tão logo começaram as sessões de quimioterapia, Daniela perdeu os cabelos e por mais que a mãe tentasse convence-la, se recusava a voltar para a escola.

Buscando todas as formas de animar a filha de voltar à escola, Helena comprou-lhe uma peruca e insistiu para que Daniela a usasse.

Contra sua vontade, a menina foi para a escola com a peruca.

Durante o recreio, um de seus colegas tirou-lhe a peruca. A menina sentiu-se totalmente humilhada com os risos dos outros alunos e disse que nunca mais voltaria a estudar.

Helena ficou descontrolada e desesperada, sem saber o que fazer.

Mais tarde foi a farmácia comprar um remédio e lá chegou chorando.

Um funcionário acolheu-a e sugeriu que sentasse um pouco para se acalmar. Depois de consolada pelo rapaz, Helena contou a sua história e para a sua surpresa o rapaz se comoveu tanto que se prontificou a ajuda-la.

Assim o fez.

Nas suas horas de folga foi ao hospital para saber mais sobre a doença. Foi também à escola e conversou com os diretores e professores para saber o que eles poderiam fazer para ajudar Daniela.

O rapaz ainda arrumou tempo para ir visitar os colegas da menina e conversou com os pais para que orientassem seus filhos a aceitar a colega de volta. Conversou com as crianças estimulando-as a fazerem cartas e cartazes pedindo que Daniela voltasse à escola.

Foi um longo e árduo trabalho.

Certo dia a menina acordou e disse à mãe que iria voltar para a escola, pois tinha recebido muitas cartas e cartazes dos colegas pedindo que voltasse. Assim decidiu que na segunda feira iria à escola.

Na segunda feira a mãe colocou a peruca na filha e foram para a escola.

No meio do caminho a menina parou, olhou para a mãe, tirou a peruca e disse:

Mãe, eu estou morrendo de vergonha, mas vou assim mesmo, sem peruca.

Helena ficou toda orgulhosa pela coragem e disposição de Daniela.

A sala estava fechada. Com muito medo a menina chegou e abriu a porta.

Lá encontrou todos os seus colegas com as cabeças raspadas.

Os pais haviam se reunido e decidido raspar as cabeças dos filhos para que a menina se sentisse igual aos outros.

 

E tudo começou com a dedicação de um balconista de farmácia.

“Acorda, você vive”.

 Peixinho Haroldo.