Educação

Fantasia estimula a criatividade e o desenvolvimento das crianças

Por: Alessandra Soares Ramiro
Oct. 5, 2019, 7 a.m.

 

É comum a criança, principalmente em idade escolar, pedir para sair fantasiada. E muitos pais se sentem inseguros se isso é bom ou não para o seu desenvolvimento.

A fantasia pode ser muito bom e ajudar no desenvolvimento da criança.

O vestido da Cinderela, a máscara do Homem-Aranha, a varinha da Fada Madrinha ou um simples pano transformado em capa. Tudo é válido quando a criança entra no mundo do faz de conta. Entre os 2 e 5 anos, é muito comum eles pedirem para se fantasiar. Na escola, nas festas, no restaurante e em casa. A fantasia, de certa forma, fortalece o ego infantil. Além de divertir e incentivar a criatividade, a criança tem a chance de se sentir diferente, de experimentar outras linguagens, de incorporar personagens e suas habilidades. E com isso enfrentar obstáculos e medos e resolver conflitos internos e externos. Ela se sente mais forte, segura e pode ter a coragem de expressar melhor seus sentimentos.

O mundo mágico entra em cena justamente no momento em que enfrentar a realidade é, muitas vezes, difícil. É muito mais fácil projetar sentimentos em super-heróis, piratas, bruxas e todo tipo de personagem. Essa fase é normal e importante, pois auxilia a criança a lidar com situações do dia a dia de forma positiva para o seu desenvolvimento.

Os pais podem aproveitar esse tipo de atividade para observar seu filho e aprender mais sobre ele. Muitas vezes, o personagem escolhido e suas ações no decorrer da brincadeira demonstram o que a criança é e o que está sentido. E, para possibilitar essa chance a ela, não é preciso nada muito elaborado. Um lenço na cabeça já é válido. Não é necessário comprar todas as fantasias que a criança quer. O consumismo exagerado aliás, pode se tornar um problema.

Os pais podem oferecer opções, deixar um caixa com chapéus, perucas, tecidos coloridos, por exemplo. Mas não precisam incentivar o consumo das fantasias industrializadas. Coloque um limite ou você terá toda a liga de superamigos no guarda-roupa do seu filho. Os adultos, às vezes, até preferem a fantasia pronta porque a conhecem, sabem sua história e suas características. Uma fantasia que a criança cria sai do controle, não tem roteiro e isso angustia os pais mas são na verdade a expressão da criatividade de uma mente em desenvolvimento.

Os pais apenas devem estar atentos aos exageros. Seu filho não pode deixar de entrar em contato com o mundo real. Ir vestido de Batman no primeiro dia de aula é saudável. Mas repetir a fantasia em todos os demais dias da semana, não. Os pais precisam dosar o tempo de permanência com a fantasia. Afinal, tudo em exagero, não é saudável.

Quando a criança assume tempo integral totalmente as características de uma personagem, os adultos também devem ficar atentos. Não é comum, mas pode acontecer. Quando não há nenhuma distinção entre um e outro, a situação deixa de ser faz de conta para se tornar ‘real’. Se isso acontecer de um modo muito contundente, necessita de uma atenção maior. Em geral, os pequenos sabem muito bem diferenciar o real da fantasia, apesar de a imaginação infantil ser tão fértil.

Outra situação que requer atenção dos pais é quando a criança acredita que tem os poderes do herói. São comuns os episódios em que o pequeno, munido de capa e espada, tenta voar. Por isso, é importante ter alguém sempre olhando as crianças menores em suas atividades e observar o quanto as mais velhas compreendem a situação. O ideal é que, com 4 ou 5 anos, elas já saibam separar bem a realidade da fantasia. Aos pais, cabem conversar com as crianças sobre esse limite, inclusive lembrando que até o Super-Homem é abalado pela kriptonita, ou seja, nem ele escapa de ter fragilidades e pontos fracos.

A partir dos cinco anos é comum o uso da fantasia diminuir. Os pedidos para vesti-la ficam espaçados porque os interesses mudam. As crianças estão desenvolvendo a lógica do pensamento concreto e começam a substituir a fantasia pela realidade. E em sua vida social já não “fica tão bem” usá-la.

É quando os pais percebem uma nova fase na vida dos filhos: que os pequenos estão crescendo!