Educação

Sentimento de culpa

Por: Alessandra Soares Ramiro
Sept. 14, 2019, 7 a.m.

 

É comum ao conversarmos com mães, notarmos em pouco tempo de diálogo estabelecido, seja ele formal ou informal, em consultórios, com a coordenadora de uma escola onde o filho estuda ou até mesmo em um bate papo com a amiga, que existe um sentimento de culpa da mãe em relação ao filho.

Esse sentimento pode aparecer de diversas formas, como por exemplo, ao ouvir alguém palpitar sobre como se deve educar um filho, deixando assim a insegurança. Ou quando se trabalha demais e entende que deveria ter mais tempo para se dedicar ao filho. Ou ainda, se quando a mãe se sente culpada por uma separação. Esses, entre outros tantos exemplos que assolam a mente feminina servem para apontar que na verdade a mulher é muito mais emoção do que razão e sofre mais com o sentimento de culpa do que o homem.

Em todos os exemplos dados acima, para que esse sentimento não domine a mente é importante olhar cada situação com a razão, absorver o que é bom, pois sempre aprendemos algo com tudo que nos acontece na vida e no dia a dia. E assim melhorar o que achar importante com os aprendizados adquiridos e não deixar esse sentimento dominar a mente.

Uma mãe com sentimento de culpa forte e evidente irá atrapalhar o processo de formação da criança principalmente na fase da infância. O sentimento de culpa atrapalha na hora de colocar limites, de dizer “não” em momentos estratégicos fazendo com que a criança, sem maturidade para fazer escolhas, comece a dominar situações e ganhar justamente no momento em que não deveria.

Alguns exemplos como presentes fora de época, o famoso “se comer tudo ganha doce”, dormir na cama da mãe e não ter os limites entendendo que cada um tem o seu espaço são concessões que prejudicam um desenvolvimento emocional saudável. Quando é permito à criança algumas concessões por conta do sentimento de culpa, a criança vai entender que é assim que ela conquista o que quer e a mãe, em contrapartida, perde o controle porque quando falar não, a criança vai enfrenta-la, vai fazer manhas ou até mesmo vai tentar bater no adulto que a contrariou.

Além do sofrimento que tanto a mãe quanto o filho vivem através do reflexo do comportamento adquirido por esse sentimento em ambos os lados, a criança irá sofrer no contexto social, pois o mundo em que vivemos não faz concessões.

Se o sentimento de culpa é forte, se percebe que está difícil controlar a criança, não hesite em pedir ajuda às pessoas competentes, à profissionais habilitados a auxiliar na superação desse problema para que ele não se arraste e não se torne incontrolável. É preciso se conscientizar e usar a razão para buscar ajuda.

O sentimento de culpa pode até existir, mas não pode interferir. O segredo é usamos a razão para avaliar as situações e estabelecer claramente o que pode ser melhorado, caso contrário, o sentimento de culpa vai dominar ao ponto de desestruturar a vida emocional das mães e dos filhos.