Gastronomia

7 de Setembro e Alimentação

Por: Chef Roberta
Sept. 7, 2019, 7 a.m.

 

A independência do Brasil foi um processo que culminou com a emancipação política do país no início do século XIX. Oficialmente a data é comemorada em 7 de setembro de 1822 com o episódio conhecido como "Grito do Ipiranga" ou "Grito da independência". De acordo com a história clássica do país, nesta data, às margens do Rio Ipiranga (São Paulo) o príncipe regente D. Pedro gritou  “(...) Independência ou Morte!’’, libertando o país politicamente.

À época do descobrimento, 1500, os habitantes do Brasil utilizavam-se do excelente clima e diversidade natural para o cultivo dos alimentos.

Ao contar ao Rei Dom Manuel o que tinham encontrado nas terras brasileiras, as embarcações do descobrimento comandadas por Pedro Alvares Cabral, o escrivão Pero Vaz de Caminha escreve: "Eles não lavram nem criam. Nem há aqui boi ou vaca, cabra, ovelha ou galinha, ou qualquer outro animal que esteja acostumado ao viver do homem. E não comem senão deste inhame, de que aqui há muito, e dessas sementes e frutos que a terra e as árvores de si deitam. E com isto andam tais e tão rijos e tão nédios que o não somos nós tanto, com quanto trigo e legumes comemos”.

No que diz respeito à cultura alimentar no país, muitos hábitos incorporados à culinária brasileira surgiram muito antes da independência propriamente, como influência da civilização que nos colonizou e das diversas correntes migratórias (portugueses, espanhóis, italianos, alemães...) e do povos de nação africana que vinham como escravos.

A cultura alimentar a que se refere o trecho acima, de pero Vaz de Caminha, é claramente uma influência indígena, em que a principal cultura era o consumo da mandioca. Os colonos utilizavam a farinha de mandioca em substituição ao trigo em suas preparações. Prática hoje, infelizmente, quase que limitada à grupos regionais ou de pessoas portadoras de doenças ou alergia ao glúten.

O consumo de peixes também era um costume bastante frequente, assim como outros alimentos como milho, a batata-doce, o cará, pinhão, cacau, amendoim, palmito, mamão e o caju são influências indígenas na alimentação brasileira.

Com a vinda dos portugueses, vieram para o Brasil bois, vacas e galinhas, a fim de consumirem o leite, a carne e também os ovos, as verduras e hortaliças também foram influências dos portugueses, que tinham o costume de cultivar hortas e frutas como laranja, lima e limão foram trazidas pelos colonos.

Nas senzalas do Brasil colonial, os escravos aproveitavam as sobras de carnes da casa-grande, e com alimentos indígenas, como verduras e mandioca e temperos africanos, como pimenta e dendê, preparavam pratos até hoje incorporados aos hábitos brasileiros como a feijoada, farofa e vatapá.

Foi a partir da independência que iniciou-se o processo de migração da Colonia Portuguesa ao Brasil. Os portugueses que vieram para o Brasil tiveram que alterar seus hábitos alimentares e miscigená-los aos costumes locais, uma das maiores influencias desta época foram os toques de requinte à mesa, incorporados pelas Senhoras Portuguesas.

Desde então, o Brasil começa a crescer em meio a diferentes realidades sociais e econômicas, com a instalação de culturas que até então eram determinadas pela influência européia.

O trigo foi em parte substituído pela farinha de mandioca, o mais importante alimento da colônia e passou a ser utilizada em receitas de bolos, sopas e beijus. Além da farinha, no engenho também se consumiam: carne-seca, milho, rapadura, arroz, feijão como a pimenta e azeite de dendê. As verduras, as frutas, a manteiga e os queijos eram raros e só entravam na alimentação daqueles mais ricos.

A imigração estrangeira agregou novos alimentos e culturas aos hábitos locais que hoje fazem parte da culinária do país. Algumas receitas surgiram à época, como o pão de queijo, lombo de porco, frango com quiabo. Trouxeram feijão tropeiro, barreado, arroz, peixada, bacalhoada e vinhos.

Os alimentos não são considerados meramente alimentos, o ato de se alimentar além do fato de nutrir-se é um ato social, ligado também à comportamentos específicos, costumes regionais e locais, protocolos, condutas, datas e até como recompensa e punição.

Os alimentos constituem uma categoria histórica de evolução cultural, seus padrões e mudança dos hábitos e práticas alimentares, retratam também a dinâmica econômico social.

As cozinhas locais, regionais, nacionais e internacionais são produtos da miscigenação cultural, fazendo com que a gastronomia revele vestígios das trocas culturais e, foram todas estas influências migratórias que tivemos que, tornaram o Brasil um país extremamente rico no que diz respeito a sua cultura e culinária. (fonte: Nutrein - Nutrição Ortomolecular e Funcional)

Assim, entendendo um pouquinho melhor a história base da nossa alimentação hoje, podemos fazer escolhas... Vivemos um momento onde as informações correm numa velocidade absurdamente rápida e que nem tudo que se lê é confiável. O terrorismo nutricional é uma guerra diária, travada nas redes sociais, onde mitos e verdades são disputadas, quase que a "tapas" para benefício financeiro de quem consegue mais "likes".

Há de se ter filtro para não nos prejudicarmos e além de tudo, discernimento para escolhermos o que é melhor para nós, para o meio ambiente, para o futuro de um país tão judiado e apesar de tudo, rico em diversos aspectos.

Eu acredito no equilíbrio, de tudo e na redução do desperdício, e você?

Em feriados como esse, dia da Independência, muitas famílias se reúnem e fazem aquele churrasco gostoso, mas que normalmente há sobras. Se você não saber o que fazer com elas, segue uma dica infalível na minha família.

 

Arroz cremoso de churrasco na panela de pressão

 

Cortar em cubinhos todas as sobras de carnes, refogar em azeite com um dente de alho e meia cebola picadinha. Acrescentar o arroz (1 xícara de carne = 1 xícara de arroz cru), deixar refogar um pouco. Eu gosto de colocar 1 colher de café rasa de açafrão, uma pitada de pimenta do reino e uma pitada de orégano. Colocar a água (1 xícara de arroz = 2 xícaras de água), ajustar o sal (cuidado, pois normalmente as carnes de churrasco são salgadas) e tampar. Após pegar pressão, contar 3 minutos, desligar e tirar a pressão. Ao abrir, acrescente 1 colher de manteiga e 50g de queijo ralado, tampe novamente e deixe por 5 minutos.

Finalize com cebolinha e salsinha a gosto e sirva quentinho.

 

Bom apetite!

 

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